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Bases cimentadas permitem aumentar durabilidade, reduzir a espessura do revestimento e otimizar custos 

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Ao garantir suporte mais rígido, solução viabiliza revestimentos mais esbeltos, sem comprometer a capacidade de carga do pavimento
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A longevidade e a integridade estrutural de um pavimento dependem diretamente da capacidade de suporte das camadas posicionadas sob o revestimento, seja ele asfáltico ou de concreto. Nesse contexto, diante do desafio de mitigar manifestações patológicas precoces, a engenharia rodoviária encontra nas bases cimentadas uma solução de alto desempenho.

Essa técnica eleva substancialmente a resistência à compressão e à tração da estrutura do pavimento ao promover a estabilização de solos e agregados com o cimento. Como resultado, tem-se a ampliação da vida útil da via ao mesmo tempo em que se permite reduzir a espessura da camada de rolamento, gerando menor consumo de um material nobre de revestimento.  

“A superioridade técnica da base cimentada é tamanha que as concessionárias de rodovias, cujo planejamento financeiro vislumbra horizontes de médio e longo prazo, já a incorporaram como diretriz de projeto”, destaca o professor João Virgílio Merighi, da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.  

Ele explica que as bases cimentadas apresentam excelente comportamento à tração, aliviando as tensões atuantes no revestimento. “Diferente das bases de brita graduada simples (BGS), suscetíveis a deformações permanentes e afundamentos nas trilhas de roda, a base cimentada mitiga colapsos estruturais, apresentando durabilidade que facilmente vai além de 20, 30 anos”, diz Merighi, que também é CEO da Latersolo Serviços de Engenharia. 

Mapeando as soluções: tipologias e aplicações 

As bases cimentadas variam em função do método de execução, dos materiais empregados e do teor de cimento adicionado à mistura.

Especialmente para a base de pavimentos de tráfego leve a moderado, vias urbanas, pátios e sub-bases de pavimentos de alto desempenho (pavimento rígido), uma solução usual é o solo estabilizado com cimento, popularmente conhecido como solo-cimento. Esta alternativa aproveita o solo disponível na própria região da obra.

Ao dispensar a extração de material pétreo e reduzir a necessidade de transporte de agregados, a técnica se consolida como uma escolha altamente sustentável e econômica. No entanto, esse tipo de base exige que o solo local apresente granulometria adequada, com preferência para materiais siltosos e arenosos.

A brita graduada tratada com cimento (BGTC) é uma técnica que pode ser utilizada quando a obra não dispõe de solo em condições propícias. Trata-se de uma mistura de brita com granulometria bem distribuída, água e baixa porcentagem de cimento, geralmente entre 3% e 5% em peso. O resultado é uma camada com excelente capacidade de suporte e elevada rigidez, sendo amplamente indicada para vias de tráfego médio e pesado.

Nos últimos anos, o meio técnico passou a adotar a brita graduada melhorada com cimento (BGMC) como uma alternativa à BGTC. Embora os nomes sejam semanticamente próximos, as duas soluções diferem na quantidade de cimento e no objetivo mecânico da mistura.

Enquanto a BGTC cria uma camada rígida ou semirrígida de alta resistência, a BGMC usa o cimento apenas para otimizar as propriedades de um material que, sozinho, não atingiria os requisitos mínimos de projeto. Na brita melhorada, o teor de cimento é tipicamente inferior a 2%. Essa dosagem reduzida permite que o material preserve as características de uma camada granular e flexível, mas com coesão aprimorada. Dessa forma, o risco de trincas por retração térmica ou hidráulica é amenizado, assim como o potencial de propagação de trincas para o revestimento asfáltico.

Quando falamos em bases cimentadas, outra solução de destaque é o concreto compactado com rolo (CCR), que se caracteriza por sua consistência extremamente seca e abatimento zero. O CCR apresenta teor de cimento superior ao da BGTC, variando de 7% a 14%, e sua compactação acontece por meio de rolos compactadores, em vez dos tradicionais vibradores de imersão. Quando dosado com menor teor de cimento, o CCR funciona perfeitamente como sub-base ou base de pavimento rígido, promovendo uma transição suave de rigidez para a placa superior do pavimento.

Diante de tantas soluções, a escolha do tipo de base cimentada decorre de uma análise técnica e econômica detalhada. É preciso considerar fatores críticos e interdependentes, como o volume e a tipologia do tráfego, o custo de transporte dos agregados e o prazo de execução. Também são levados em conta aspectos como a disponibilidade de equipamentos na região e o custo global do ciclo de vida do pavimento.

Máxima eficiência: onde e por que aplicar as bases cimentadas? 

Sempre que um projeto exige alta confiabilidade estrutural, longevidade e resistência às solicitações severas de tráfego, as bases cimentadas são a primeira escolha. Não à toa, trata-se de uma solução consagrada em concessões rodoviárias e obras públicas de grande porte.

Mas o potencial de uso vai além. Há oportunidades para a especificação das bases cimentadas também em estradas vicinais e com baixo volume de tráfego, vias de loteamento e pátios industriais.

“Nesses casos, uma solução competitiva é a execução da base de solo-cimento revestida com tratamento superficial com emulsão asfáltica. Esta é uma alternativa técnica e economicamente vantajosa em relação à base de brita graduada com revestimento com mistura asfáltica”, comenta Mário Henrique Furtado Andrade, professor na Universidade Federal do Paraná e diretor técnico da Afirma Evias Engenharia e Tecnologia Viária. A vantagem, nesses casos, é clara: aumentar a durabilidade ao mesmo tempo em que se reduz gastos com a implantação e conservação do pavimento.

Outra possibilidade de aplicação é a execução de sub-base cimentada combinada com uma camada de base de brita graduada intermediária sob o revestimento asfáltico. Os ganhos proporcionados por essa configuração, conhecida como pavimento invertido, são o aumento do módulo de elasticidade da base de brita graduada e a eliminação de riscos de propagação de trincas de tração para o revestimento asfáltico. 

Foco na execução: diretrizes para evitar a retração estrutural  

As bases cimentadas são sinônimo de pavimentos de longa vida útil. No entanto, isso não significa que cuidados nas etapas de projeto e execução possam ser dispensados. Três ações são imprescindíveis: controle rigoroso da dosagem, adequação do processo de cura e técnicas para inibir ou evitar a propagação de fissuras de retração para o revestimento asfáltico.

O professor Mário Henrique alerta que há, historicamente, pouca preocupação com a formulação do traço quanto à redução do potencial de fissuras de retração. Para reverter esse cenário, ele recomenda atenção às seguintes diretrizes:

  • Uso de cimentos com adições;
  • Utilização de curvas granulométricas com faixas mais abertas;
  • Redução do consumo de cimento, privilegiando o conceito de “concreto-massa”. “É preferível investir na espessura da camada do que no aumento do consumo de aglomerante, uma vez que teores elevados de cimento elevam o potencial de fissuração”, salienta Mário Henrique, lembrando que em alguns países europeus é comum a execução de camadas cimentadas de até 40 cm utilizando teores de cimento de apenas 2%;
  • Execução de técnicas de pré-fissuração ou execução de “juntas verdes” (juntas transversais preenchidas com material asfáltico ou fitas plásticas), já normalizadas há anos na Europa e que atuam nas causas da fissuração, e não nos seus efeitos.

Da mesma forma, a atuação do empreiteiro e do construtor é decisiva para o sucesso da aplicação das bases cimentadas. A mistura dos materiais deve ser realizada obrigatoriamente com equipamentos adequados, garantindo que os requisitos da dosagem e do projeto sejam efetivamente atingidos em campo.

Colaboram com este conteúdo:

JOÃO VIRGÍLIO MERIGHI. É mestre em Engenharia Civil (1991) e doutor em Engenharia Civil (1999) pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. CEO da Latersolo Serviços de Engenharia, também é professor da Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e professor convidado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes da Universidade Estadual de Campinas. Tem vasta experiência na área de Engenharia de Transportes com ênfase em rodovias, aeroportos, ferrovias, projeto e construção.

MÁRIO HENRIQUE FURTADO ANDRADE. Mestre em Engenharia de Transportes pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1997) e graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (1982). É diretor técnico da Afirma Evias Engenharia e Tecnologia Viária, além de ex-professor e coordenador do Laboratório de Asfaltos e Misturas para Pavimentação (LAMP) na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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